Verde que te quero ver ©
Categoria: Música

 

Estamos vivendo a seca na sua máxima plenitude. Mais de dois meses sem chuvas, umidade baixíssima, horizonte enfumaçado, verde quase nenhum – o típico clima de deserto e as chuvas anunciadas apenas para meados de setembro. Até lá o clima deve piorar bastante. A travessia dessa longa seca regala-nos, ali por outubro/novembro, com o ressurgimento do verde em toda a sua gala vegetal. É um espetáculo monumental. Chego a dizer que o verde é a maior das catedrais de Brasília – um verde que agora está em trajes cinza, fosco. Enquanto padecemos a ausência do verde, socorremo-nos dos magistrais ipês (branco, amarelo e roxo) e das paineiras que explodem em cores tão vivas que mais parecem um desaforo (muito bem-vindo!) da natureza… Há quem estranhe e sofra bastante com as inclemências próprias de um clima de deserto. Eu, nem tanto. Tenho apenas ligeiras dores de cabeça e alguma tontura. O certo é que os candangos todos temos de nos conformar com uma espécie de hibernação visual, tão desoladora fica a paisagem. Ah, mas quando caem as primeiras águas e o verde começa a impor sua majestade à paisagem, celebramos todos a volta daquele que foi apenas para poder voltar, de novo e sempre!! Banhados de verde, seguimos renovados até à próxima seca.

 

© Nota de canapé: Parceria de Edmundo Souto e Paulinho Tapajós.

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