Não tenho medo da vida ©
Categoria: Música

Viver é isso: agarrar a vida pelo cangote, todo dia; afinal, “o que ela quer da gente é coragem” (Guimarães Rosa). E se “o correr da vida embrulha tudo” (mais Guimarães Rosa), viver é o ofício de tentar desatar, ou pelo menos afrouxar, os tantos nós pelo caminho. É o que venho tentando. Ainda assim, a sensação é a de estar sempre embaraçado, embrulhado… Feito fôssemos marionetes, um monte de fios nos movimenta: o fio do trabalho, o fio do dinheiro, o fio da família, o fio dos afetos, o fio dos sonhos – e esses fios estão todos juntos e misturados. Com tantos fios nos puxando para todos os lados, temos ainda de nos manter inteiros, íntegros, donos de nós – embora cheios de nós. Como conseguimos? Perguntando melhor: conseguimos? Conseguimos apenas a ilusão de que temos algum domínio sobre os fios que nos enredam. Eles não nos prendem o bastante que nos impeçam de caminhar, nem nos soltam o bastante que nos permitam voar. A vida é esse rés-do-chão onde nos fixamos rodeados de tantos quefazeres que mal temos tempo de contemplar a vida “se vivendo em nós e ao redor de nós” (Clarice Lispector). Mesmo o mais do tempo confinados ao rés-do-chão, não abrimos mão do mágico dom de olhar as estrelas. E isto nos salva. A vida é tão urgente que não dá tempo de temê-la. “A vida é tão rara” (Lenine). A vida é. E pronto. Não, não tenho medo da vida. Estou na vida para o que der e vier, até quando der. “Somos nós que fazemos a vida – como der, ou puder, ou quiser – sempre desejada” (Gonzaguinha).

© Nota de canapé: Uma bela canção do Gilberto Gil. Dialoga com a belíssima Não tenho medo da morte, também de sua autoria.


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    Angela
    20 de janeiro de 2012

    Emocionante!
    Ps.: “a máquina de ser” eu achei chatinho e sem sal… Tô começando a conseguir ficar imparcial com vc…rs


    Tarlei
    20 de janeiro de 2012

    Querida Ângela,
    Escrever tem disso: às vezes (poucas) a gente acerta. Outras vezes (muitas) a gente erra. Para seu gosto, errei em “a máquina de ser”. Não tenho medo do erro. Por isso sigo escrevendo. Continue imparcial: critique à vontade. Eu preciso.
    Bjs,
    Tarlei


    Angela Oliveira
    24 de janeiro de 2012

    Tarleizinho,
    Não fique chateado com a minha crítica. Sou, antes de tudo, uma iconoclasta… Eu sei que “lutar com as palavras, é a luta mais vã, entanto lutamos mal rompe a manhã”! Só refuto uma coisita: vc acerta em 99,99% das vezes, não o contrário! Estarei na estreia do teu livro, que sei, não vai tardar a acontecer! Está ficando maior q vc! rs. É uma força estranha essa a da escrita…rs


    Tarlei
    25 de janeiro de 2012

    Angelinha,
    Longe de mim ficar chateado. Não tenho medo da crítica. Mesmo porque ponho o que escrevo abaixo da crítica… rs.
    Dizer que acerto em 99,99% das vezes depõe enormemente em desfavor da sua iconoclastia. Repense! rs.
    Estreia? Livro? Deixo ao acaso, não me esquecendo nunca de que “é no desvio que as coisas acontecem”.
    Bjs,
    Tarlei






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