Ao shopping center ©
Categoria: Literatura

Novembro nem bem havia chegado e os shoppings da cidade já estavam todos enfeitados para o Natal. É quando começa a via-crúcis dos consumidoidos. Aí me lembro do Frei Betto dizendo que faz um belo passeio socrático quando vai a um shopping, concluindo de si para si: “Quanta coisa eu não preciso para ser feliz!”. Penso a mesmíssima coisa. Não me rendo à fúria consumidoida que atinge as classes de A a Z. É um descalabro! Gosto de ir contra a corrente. Já tenho hábitos quase franciscanos. Enquanto todo mundo se movimenta febril pelos corredores dos shoppings, minha natureza franciscana fica mais aguçada ainda e entoa de si para si: “Eu quero é menos”. Pra fechar, versos da ode ao shopping center pelo grande José Paulo Paes: “Pelos teus círculos / vagamos sem rumo / nós almas penadas / do mundo do consumo. // Cada loja é um novo / prego em nossa cruz. / Por mais que compremos / estamos sempre nus.”

© Nota de canapé: Título de poema do José Paulo Paes. Está no livro Prosas seguidas de odes mínimas.

PSiu: O neologismo consumidoido, se a memória não me falha, é do poeta José Paulo Paes.


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