A galáxia da Internet ©
Categoria: Literatura

Trecho de letra de uma canção do Caetano: “Onde será que isso começa / A correnteza sem paragem / O viajar de uma viagem / A outra viagem que não cessa”. Os versos falam da cidade do Rio (a canção se chama “O nome da cidade”), mas me parecem perfeitamente aplicáveis à galáxia da Internet. Mais que uma cidade, a Internet é um cosmo com um Deus próprio, o Deus-Google – por enquanto, apenas onipresente; daqui a pouco, onipotente e onisciente. Falando em Google, espichei minha curiosidade até o Google+, o irmão (ou rival?) do Facebook. Embora eu seja um empedernido representante da Geração X, novidades me atraem, nem sempre ao ponto de incorporá-las à minha vida – fatal diferença entre a Geração X e a Geração Y. Enquanto os da Geração X se contentam com o básico, os da Geração Y querem tudo ao mesmo tempo agora. Um dado a respeito desse tudo ao mesmo tempo agora: ouvi no rádio, e acho que ouvi bem, que já passa de 1 milhão os aplicativos para o Twitter. E eu que pensava que o Twitter era só o Twitter. Tolinho!

Os concretistas postulavam uma dimensão verbivocovisual para a poesia. A Internet é a concretização plena do verbivocovisual. Palavra, imagem e som, as três matrizes semióticas fundamentais, têm na Internet um abrigo perfeito. E ao abrigo da grande teia, palavra, imagem e som protagonizam verdadeiras folias intersemióticas. A grande teia é tão onívora, e tanta coisa cai dentro dela (até eu já caí na rede), que vai se configurando para ela a triste destinação de infinito repositório de banalidades. Será?

© Nota de canapé: Livro do pensador espanhol Manuel Castells.


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