Elogio da leitura ©
Categoria: Literatura

Reitero o que já disse aqui: sou um “ledor” sem nível. A meu favor apenas o fato de ser muito apaixonado pela leitura. Isso de cara me torna (a mim e a uma imensa minoria de leitores apaixonados) alguém completamente anacrônico. É indiscutível que a forma predominante de interação já se deslocou sensivelmente para o nível icônico. Somos, hoje, seres audiovisuais. A contrapartida disso é um declínio (irreversível?) da leitura de literatura. Conheci uma doutoranda da Universidade de Brasília cujo tema é exatamente esse: “A leitura de literatura no século XXI”. Eu, “ledor” sem nível mas ousado, inventei um neologismo para tentar capturar o âmbito em que se move o leitor atual. Cunhei, então, o neologismo teleitor – o leitor de tela. A meu ver, a expressão encapsula bem a relação do teleitor com o texto: é uma relação de superfície, de distanciamento (que é o sentido do prefixo “tele”), de dispersão. O verbo que se associa à leitura em tela é navegar. Navegar é deslizar pela superfície. Nada lembra o mergulho que deve ser a leitura. Por isso, Alberto Manguel (um estudioso da história da leitura, ele mesmo um leitor apaixonado) diz que é impossível interiorizar o texto que aparece na tela luminosa. Eu concordo. E assim descaminhamos nós, pobres teleitores urbanóides.

© Nota de canapé: ver aqui.


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