Antes que elas cresçam ©
Categoria: Literatura

Tenho quatro sobrinhos, todos lindos e queridos. As minhas crianças têm crescido sem parar e antes que elas cresçam mais aproveito para falar delas no dia dedicado a elas. Não importa o quanto elas cresçam – e a sobrinha com quem me iniciei no sentimento de ser tio está a poucos dias dos vinte anos –, para mim elas vão permanecer no casulo encantado da infância e serão sempre as minhas crianças.

A Tamara foi a primeira a chegar. Chegou frágil, além de sensível ao extremo: foi uma dificuldade para acertar com o leite. Depois disso, não demorou muito e ela virou um bebê gorducho, de faces rosadas e rechonchudas. Hoje, à beira dos vinte anos, menina responsável, filha amorosa, graduanda em ciência da computação, muita coisa mudou, exceto a extrema sensibilidade. Ilustro com um exemplo recente. No Facebook dela deparei com essa frase: “Já pode ficar bom, né pézinho?”. Tio preocupado, procurei saber o que tinha havido. A resposta: “Ahhh, só um raladinho, titio! Mas sabe como sou, né?”. Embora tenha admitido ser só um raladinho, confessou que estava amarrando uma sacolinha no pé para tomar banho, único jeito de garantir que não iria água no machucado.

Depois veio a Natália, desde sempre com um vigor de dar inveja. Cheia de energia, foi criança irrequieta, desassossegada… Hoje, aos dezoito anos recém-completados, graduanda em ciências contábeis, mantém o mesmo vigor: adora festa, alegria, movimento e esbanja animação para as coisas boas da vida. Tal como a irmã, é muito responsável e amorosa.

O Guilherme chegou na virada do terceiro milênio. É um menino discreto, a ponto de não gostar que comentem seu elogiado desempenho escolar. Menino alegre, quando vibra de entusiasmo é bonito de se ver. E tem um apetite de dar gosto para as gostosuras da mesa.

A Bárbara chegou por último e de todos é a que está mais no centro do balão mágico da infância, ali vivendo todas as delícias a que tem direito. É falante, articulada, atenta, esperta, cheia de graça. Talvez por conviver com o irmão dois anos mais velho e pela proximidade com as primas também mais velhas, começou a falar muito cedo e feito gente grande. Responsável, preocupada, é boa aluna, boa irmã e boa filha.

Com as sobrinhas Tamara e Natália convivi muito de perto. Durante um bom tempo elas ficaram sob os cuidados da avó, minha mãe. Era uma luta e uma festa. Às vezes eu chegava cansado do trabalho e as encontrava sempre animadíssimas, não havendo como desligá-las. Era cansativo mas também muito divertido. Curti tudo: os primeiros passos, os primeiros tombos, os primeiros dentes, as primeiras palavras, o primeiro dia de aula, as festinhas de aniversário etc. Não fui um tio perfeito, claro, mas amor havia (e há) de sobra.

Com o casal lindo do meu irmão, Guilherme e Bárbara, o convívio estreito foi quase nenhum. Quando nasceram, eu já havia me mudado para Brasília. Essa circunstância não me fez amá-los menos, mas me deu muito menos ocasião de expressar esse amor.

Embora sigam crescendo, desejo que as minhas crianças mantenham, feito eu, residência fixa na infância. E que não hesitem em visitá-la amiúde, sem medo de ser feliz. A data de hoje, aliás, é mais do que propícia para ficar ao abrigo dessa casa encantada.

Vamos brincar?

© Nota de canapé: Famosa crônica do Affonso Romano de Sant’anna. Pode ser lida aqui.


(8)


    Natália
    13 de outubro de 2011

    Como pode uma pessoa só escrever tanta coisa linda assim? Tinha que ser esse meu titio mesmo, viu! hehehe… Todo esse amor que você sente por nós faz com que a gente sinta muito mais por você. É difícil descrever tamanha gratidão que sentimos por você. O tio perfeito que você julga não ser, pra mim foi e é! Mais que tio, você foi um pai para educar, participar, amar, amparar, entre outros; você foi um avô para mimar; um amigo para confiar. Enfim, indescritível. Bjs


    Tarlei
    13 de outubro de 2011

    Minha lindinha,
    Quanta generosidade! Obrigado! Fico feliz de, para além da condição de tio, ser um amigo em quem se pode confiar. Conte sempre comigo!
    Bjs,
    Tarlei


    Tamara
    14 de outubro de 2011

    A-D-O-R-E-I o post!
    Muita coisa mudou, mas seremos eternas crianças.
    Eu e minha sensibilidade (drama) somos inseparáveis, e acho que isso não vai mudar tão cedo! hahahaha
    Vc não é o tio perfeito, vc é mais que isso. Como a Nati disse, um amigo para confiar. E vc nem imagina o quanto damos valor nisso. Vc é um tesouro, e somos muito abençoadas por ter vc conosco sempre, pra tudo. Obrigada!
    Um beijo da sua sobrinha mais dramática e que tanto te ama.


    Norinha
    14 de outubro de 2011

    É, nossas crianças são muito especiais. Tenho certeza que vc é quem iniciou esse círculo de pessoas especiais em nossa família. Sinto muita saudade delas bebezinhas. Adorei o post.


    Tarlei
    14 de outubro de 2011

    Minha lindinha,
    Além de sensível, vc é muito generosa. E é claro que não mereço tamanha generosidade. Sou só alguém que gosta muito da vida, gosta muito de gente, e o destino tratou de pôr pessoas muito especiais na minha vida. Sou feliz por isso! Obrigado pelas palavras!
    Bj,
    Tarlei


    Tarlei
    14 de outubro de 2011

    Minha querida irmã,
    Não tenho nada de especial, mas admito que a minha especialidade é gostar de gente. E minha família é feita de gente mais que especial. Amo todos vocês!
    Abs,
    Tarlei


    Davi
    14 de dezembro de 2011

    Valeu Tarlei, seu blog está demais. Muito gostoso de ler.

    Parabéns

    Davi bb


    Tarlei
    15 de dezembro de 2011

    Demais é a sua generosidade, Davi. Valeu! Com a força dos amigos, acabei me animando a essa aventura. Tenho me divertido. E se divertir os amigos que aqui aparecerem, tanto melhor. Era essa a intenção. Obrigado pela visita!
    Abs,
    Tarlei






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