Outras palavras ©
Categoria: Música

Hoje deu vontade de mobilizar meus dons de pensageiro serelépido, deu vontade de pôr em prática todo o meu manual de tortografia, deu vontade de soltar um manusgrito feito de silêncio, deu vontade de cobrir o nadifúndio do papel com obgestos não identificados, deu vontade de abrir meus arquívocos minimentais cheios de inutensílios – tudo para deixar o raro leitor boquiaberto ou, quem sabe, ensimesmudo. Sinto-me um opóstolo sempre insensatisfeito. Desencontrário por natureza, nunca deixo de inventar falsas dissonâncias para aumentar minha diversão. Eu, náugrafo contumaz, corro o risco de afogar o raro leitor na minha cachoeira de desaforismos. Conto que o raro leitor seja astuto e saiba o melhor lugar para os meus derrames, a saber: a lixeratura. Enquanto o raro leitor se livra do naufrágio, eu, naufrágil, tento que o ego sobreviva a hematombos colossais. Porque o meu abensonhado e não menos delirante desejo é que a leituratura dos meus minifestos provocasse algum têxtase, por mínimo que fosse. Sabedor humilde de quão equidistante estou do que pretendo, não posso deixar de agradecer ao raro deleitor que, não bastando honrar-me com a visita a esse puxadinho virtual, vez ou outra me brinda com um comentário mais que generoso. E desculpas peço por não conter a fúria kamiquase com que venho me jogando na tela. Ah, como eu sou zen-vergonha!!

© Nota de canapé: Uma grande (nos dois sentidos) canção de Caetano Veloso.


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