Da preguiça como método de trabalho ©
Categoria: Literatura

 

Sinto-me uma espécie de preguiçoso diligente. É que, mesmo dominado pela preguiça, acabo fazendo muita coisa. O problema está no que não faço – e o por fazer vai só aumentando. Fora da estrita obrigação profissional, não consigo ser diligente em mais nada. Os assuntos pessoais vão sendo desadministrados da melhor maneira possível. Vou levando do jeito que dá. Qualquer assunto da vida prática me enche de preguiça. Aí, se não tem como fugir, trato de fazer rápido pra me livrar logo ou, se é possível adiar, adio sine die. Adoro não fazer nada. Adoro “ficar quieto um pouquinho lá no meio do som” (Caetano). Adoro ficar deitado em berço esplêndido. Aquilo que tem data marcada para ser feito, só faço no dia D, no minuto M. Assim com o Imposto de Renda, com exame de saúde obrigatório, com provas, com trabalhos escolares… Não consigo ser diferente. E nem quero. O que quero, e preciso, é aperfeiçoar minha preguiça até o limite do insuperável. E minha meta é chegar ao requinte de despreocupação de uma certa amiga cujo nome tenho de omitir. Ainda chego lá!

 

© Nota de canapé: Livro do Mario Quintana (1906 / 1994). Ele, um preguiçoso, viveu alguns apuros no tempo em que era colunista de jornal. Daí o título do livro.


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