A descoberta do mundo ©
Categoria: Literatura

 

Logo que selei meu destino ao lado dos números, em busca do sustento físico, as letras entraram na minha vida e delas é que tem vindo o imprescindível sustento metafísico. Quando tudo começou, tinha eu 19 anos, indóceis e indômitos. A partir daí assumi o meu triste calvário de bancário ao mesmo tempo que comecei a trilhar o caminho da leitura. Os livros descortinaram para mim um mundo insuspeitado. Posso dizer, sem medo do exagero, que os livros me proporcionaram uma verdadeira descoberta do mundo – do mundo recolhido pela palavra, que é o que importa. Eu devo tudo ao amplo raio ordenador da leitura. Acho fundamental a vivência de alteridade que a literatura propicia, ainda mais num tempo que consagra o individualismo, o narcisismo etc. Nesses quase trinta anos de profissional dos números e amador das letras, venho administrando como posso o desequilíbrio em favor dos números. Dia virá, e logo, em que as letras serão as donas do pedaço. De todo modo, serei grato aos números. Eles é que financiarão o ócio de todas as futuras horas vagas, a maioria delas, espero, em companhia das letras. Assim seja!

 

© Nota de canapé: Um dos meus livros preferidos de Clarice Lispector (1920 / 1977). Reúne crônicas escritas de 1967 a 1973. Minha edição (há uma edição bem mais compacta) tem generosas setecentas e tantas páginas.


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