Velô ©
Categoria: Música

Quisera quebrar a sólida certeza de um post a cada dois dias, não com a abolição dessa regularidade, mas com a surpresa no conteúdo, no frescor das frases, no encadeamento das ideias, nas palavras arranjadas de um jeito tal que provocasse “insuportável delícia auditiva” (valei-me, Nelson Rodrigues!). Penso no destino do raro leitor, destinatário de tudo que escrevo: leu um post, leu todos… Penso no meu ofício de escrevente intrépido: propagar mais do mesmo. Meu problema é a pressa. Todo apressado escreve cru. Não tenho tempo de cozinhar um texto. Ele sai sempre urgente, veloz, feito para esquecer – o destino natural das coisas velozes. Sem querer (porque sou anacrônico por natureza), parece que o que venho escrevendo adere à tendência do momento: a concisão, a brevidade, o arroto narcísico. Escritos assim fazem sua performance e saem de cena sem deixar qualquer ranhura na alma de quem os leia. Apesar do que digo, não me queixo. O que escrevo é o texto possível de um aprendiz que não se cansa de expor sua imperícia, cuidando de elevá-la às culminâncias do chão.

 

© Nota de canapé: Título de um LP do Caetano. “Velô” brinca com Veloso e com velocidade.


(2)


    Eudes Arduini
    6 de outubro de 2011

    Tudo bem sobre escrever cru. Eu gosto de texto malpassado também.


    Tarlei
    7 de outubro de 2011

    Eudes,
    Tudo indica que estou me especializando em textos malpassados e o blog virou o ninho deles.
    Obrigado pelo comentário!
    Abs,
    Tarlei






© 2017 - ArteVida – A vida sem a arte é insustentável – Blog do Tarlei Martins - todos os direitos reservados
Design: V1 Digital - desenvolvido em WordPress