A leitura rarefeita ©
Categoria: Literatura

 

Nelson Rodrigues dizia que se deve ler pouco e reler muito. Para ele havia poucos livros totais, não mais que três ou quatro, os tais que nos salvam ou nos perdem. E para esses recomendava : “É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia”. Isso se junta ao que diz Gabriel Perissé: “Não é preciso ler todos os livros, mas apenas aqueles 400 ou 500 essenciais que hão de abrir as cadeias da ignorância (…)”. Embora eu seja um leitor com propensão onívora, aceito o sábio repto de ambos e a idade me faz propenso a praticá-lo. Passei da idade de querer ler tudo. Agora é a idade de ler (ou reler) o que importa. Estou em fase de transição. Um primeiro passo já se anuncia. Comprador compulsivo de livros, nem sempre acerto na escolha. Mesmo assim, não contava me separar deles – os escolhidos e os enjeitados. Agora decidi: só vou ficar com os escolhidos. E eles não são muitos. Rubem Alves fez a mesma coisa e é nele que me inspirei para esse despojamento. Os enjeitados (o que não quer dizer que sejam livros ruins), vou doá-los todos. E por chamá-los enjeitados não pense que tenho menos amor por eles. Mas quero o amor essencial. Um grande e verdadeiro amor é feito de pequenos gestos. O meu grande amor pela leitura cabe em poucos livros. Assim seja!

 

© Nota de canapé: Livro de Marisa Lajolo e Regina Zilberman.


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