A alegria é a prova dos nove ©
Categoria: Literatura

Adélia Prado, que ocupa um lugar especialíssimo no meu altar poético, escreveu num poema: “Minha tristeza não tem pedigree / Já a minha vontade de alegria / Sua raiz vai ao meu mil avô”. Não sei dizer onde está plantada a raiz da minha alegria. Só sei que ela jamais deixou de aflorar no meu rosto, nos meus dias. Mesmo sendo eu um tímido incorrigível, minha timidez não se sobrepõe à alegria e, quando esta irrompe, inunda toda a geografia da face.

Estou lendo um livro que se chama A ciência de ser feliz, da Drª Susan Andrews. Quando o comprei, disse para uma amiga que o meu propósito era confrontar a minha prática de ser feliz com as descobertas da ciência. Dependendo do resultado do confronto, eu abonaria ou não os estudos científicos. A amiga respondeu, brincando: “Totalmente insuportável”. O certo é que a alegria alheia tem mesmo um quê de insuportável, sobretudo quando não se está na mesma sintonia. A alegria é senhora da minha vida. Claro que não sou um bobo alegre que leva a vida na risada. Já escrevi certa vez: “Quando a vida ri, sou o mais alegre dos viventes. Quando a vida dói, choro até ficar com dó de mim”. Não se pode esquecer que o poema da Adélia diz “a minha vontade de alegria”. É perfeito. Não sou alegre sempre, mas tenho sempre vontade de alegria. E quando a gente quer, a gente tem. Oswald de Andrade tem razão: a alegria é mesmo a prova dos nove. Será por isso que nasci no dia nove?

© Nota de canapé: Recém-lançada biografia intelectual do paulistano Oswald de Andrade organizada pelo mineiro Luiz Ruffato.


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