Mínimos carapinas do nada ©
Categoria: Literatura

 

No LP “Os saltimbancos trapalhões” há uma música (versão do Chico Buarque) que diz: “Não sou eu quem repete essa história / É a história que adora uma repetição”. Ando sem memória e meu repertório beira o monotemático. Então a minha marca é a repetição despudorada, tendo como álibi a desmemória. Desejo apenas que, embora repetitivo, eu consiga infundir uma cor, um movimento, um ângulo novo para o mesmo fio. Raramente saio da órbita destes fios de estimação: os livros, as trapalhadas, as tribulações, os sonhos, as gentes e seus feitos e desfeitos – esses nadas que são tudo o que tenho e que compõem a minha galáxia em dimensão mínima. Como vê o raro leitor, eu não passo de um mínimo carapina do nada. E penso que não estou só: somos muitos os mínimos carapinas do nada. O mal está em inundar a tela, insistentemente, com esses nadas que lavro no meu quintal de inutilezas.

 

© Nota de canapé: Título de um conto do grande escritor mineiro Autran Dourado.


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