Mínimos, múltiplos, comuns ©
Categoria: Literatura

 

“É no desvio que as coisas acontecem”. Essa frase está n’O livro dos nomes, obra primorosa da escritora mineira Maria Esther Maciel.

Conduzimos nossas vidas com uma boa margem de cálculo, certos, porém, de que em alguma curva o imprevisto, o acaso, o não-calculado vai nos colher. E nisso está, talvez, a maior graça da vida. Mesmo sendo a vida crivada de repetições, ninguém sabe o que pode estar escondido no bolso do destino. Um belo dia, a surpresa, o susto, o sobressalto, a adrenalina, a pulsação. Em matéria de escrever, mesmo crivando de repetições o que escrevo, há sempre a possibilidade de uma surpresa – que pode não se realizar nunca, mas basta que ela exista.

À primeira vista, a profissão de contador parece ser um desvio em minha vida. No entanto, parece que nasci mesmo para contar. Vivo de me contar nesses textos mínimos, múltiplos, comuns… E o suposto desvio talvez não passe de um acerto involuntário. O contador é alguém que vive de coletar, organizar e evidenciar. O mais que faço é inventariar as ninharias que apanho no chão da minha vida e divulgá-las com raro despudor. Até quando?

 

© Nota de canapé: Livro do escritor João Gilberto Noll.


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