Vamos comer Caetano ©
Categoria: Música

Hoje é o aniversário de um leonino tímido e espalhafatoso, o nosso mano Caetano.

Saboreio Caetano desde antes de poder comprar as bolachas de vinil que tanto freqüentaram (e ainda freqüentam) a minha mesa de som. Caetano e tins e bens e tais vinham pelo ar, pelas ondas do rádio…E o ouvido ficava querendo provar mais daqueles sabores musicais.

Tanto tempo depois, continuo indo atrás do que sai da cozinha sonora de Caetano – cozinha onde tudo entra, cozinha onde é proibido proibir. Caetano, onívoro, não recusa nada.

A língua de Caetano adora criar confusões de prosódia e profusões de paródias. A língua de Caetano é o que soa, é o que há, é beleza pura, é superbacana, é certa como dois e dois são cinco. Caetano sabe o que é bom.

Caetano, o mais doce bárbaro, chegou para desafinar o coro dos contentes; veio e cumpriu a sentença de sempre pedir licença, mas nunca deixar de entrar. Foi assim que entrou em todas as estruturas e saiu de todas – sem lenço, sem documento.

Caetano pôs mais água na fervura tropical, pôs mais dendê no pirão antropofágico do Oswald. Caetano comandou o movimento movido por um coração vagabundo que só quis e quer velar pela alegria do mundo – pra ficar tudo odara, qualquer coisa que se sonhara.

Tá combinado que o que eu disse de Caetano é quase nada. É tudo somente aquilo que, nunca tendo estado oculto, bem que podia ser dito de modo menos óbvio. E se disse pouco é porque, mais que dizer Caetano, é preciso comê-lo.

Tá combinado que todo dia é dia de saborear Caetano.

Viva Veloso-so-so! Maravilhoso-so-so-so-so! (Eis mais um refrão possível para a canção Tropicália).

 

© Nota de canapé: Canção de Adriana Calcanhotto. Para saboreá-la, sirva-se aqui.


(0)





© 2017 - ArteVida – A vida sem a arte é insustentável – Blog do Tarlei Martins - todos os direitos reservados
Design: V1 Digital - desenvolvido em WordPress