Sob medida ©
Categoria: Música

Tenho de confessar: nunca pensei que eu pudesse praticar a concisão, eu que sou derramado, palavroso, barroco, hiperbólico. Apesar disso, não mais que ensaiava dar curso à pororoca verbal que me habita. Sendo de fôlego curto, não ia muito longe: desistia antes de começar. Até que um dia ensaiei um bater de asas leve, sem pretensão de sair do chão e o resultado vem povoando este espaço. Nasci, quem sabe, com a pretensão de voar, mas descobri que tenho asas de impossível voo, feito certos galináceos. A ambição de voar foi substituída pelo prazer de ciscar. Não tenho feito outra coisa. Cisco o chão da vida em busca do miúdo que constitui e constela o meu caminho. Essa escrita que cisca de tudo um pouco para recolher os brilhos do chão parece sob medida para mim. Isso que começou despretensioso e vai continuar despretensioso, isso que é quase nada – isso me preenche. Venho descobrindo, sem querer, o prazer de brincar de escrever. Brincalhão, sempre fui. Sinto que acertei na cabeça quando levei o dom de brincar para a escrita. Será que exagero? Enquanto puder, quero a companhia do bicho alfabeto para seguir espalhando palavras e frases pelas veredas do papel. Será que posso?

 

© Nota de canapé: O Chico de sempre com seu talento desmedido. Fafá de Belém gravou com enorme sucesso.


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    Josi
    18 de agosto de 2011

    Poode! E deve!
    Parabéns, amigo.
    Um abraço.


    Tarlei
    18 de agosto de 2011

    Minha querida,
    Obrigado pela visita e pelo comentário. Mais que eu, agora quem poooode é você. E sempre que puder, ou quiser, apareça aqui no meu puxadinho virtual. Sua visita será sempre muito bem-vinda!
    Um abraço,
    Tarlei






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