Vira-lata de raça ©
Categoria: Música

Sou um vira-lata de raça. Costumo dizer que levo uma vida de simplicidade quase franciscana. Indo na contramão da maioria, digo com certo orgulho que vivo aquém das minhas posses. A vira-latice só não triunfa em um aspecto da minha vida: gosto de comer bem, em quantidade e qualidade. Economizar em comida parece ser um comportamento comum aos que são obrigados a comer fora todos os dias. Não é o meu caso. Não economizo nesse quesito. Enquanto muitos colegas se animam a frequentar lugares de preço baixo, eu não passo nem perto. Carrego como troféu o fato de, em onze anos de Brasília, jamais ter posto os pés nos comelódromos que ficam nas imediações do setor bancário e literalmente debaixo do viaduto. São muitíssimo frequentados por colegas que podem pagar mais caro, mas preferem a economia – ou quem sabe a comodidade. Eu, jamais. Meu paladar foi mal-acostumado pelo talento de minha mãe na cozinha. Um simples ovo frito por ela não é um simples ovo frito. Tudo ganha um tempero e um toque que só ela consegue e de que aliás se orgulha, com toda razão. É por isso que disse e agora repito: sou um vira-lata de raça.

 

© Nota de canapé: Canção de Rita Lee e Beto Lee, gravada por Ney Matogrosso no CD Olhos de farol.


(8)


    Alexandra
    25 de julho de 2011

    Tarlei,

    você é também um vira-letras de raça! Já me antecipo: não é generosidade minha, é que seu paladar textual também foi mal acostumado. Creio que você nunca devorou palavras fritas e requentadas debaixo do viaduto da escrita. Aposto que sempre saboreou palavras com o retoque e o tempero de que só a escrita-mãe é capaz !

    Beijos,
    Alexandra


    Tarlei
    25 de julho de 2011

    Alexandra,
    Sou só um livre-farejador, sem nenhum pedigree. Já as suas palavras vêm sempre temperadas com poesia e cobertas de generosidade. Muito obrigado!
    Bjs,
    Tarlei


    ANGELA YVONNE BARROS DE OLIVEIRA
    27 de julho de 2011

    “O homem está condenado a ser livre”, Jean Paul Sartre. Com isto, quero dizer que os “pés sujos” também têm seus atrativos, se a companhia for boa…rs.


    Tarlei
    28 de julho de 2011

    Minha querida Ângela,
    se li bem suas palavras, você me condena (com elegância) pela deselegância em afirmar que muitos colegas preferem a economia à boa comida. Não foi minha intenção censurar ninguém. Talvez eu devesse ter dito que, para muitos colegas, a companhia é mais importante. E se a companhia for você, assino embaixo.
    Bjs,
    Tarlei


    JOACIL CAVALCANTI DE OLIVEIRA
    3 de agosto de 2011

    Só conheço uma Angela Yvonne Barros de Oliveira. Se é minha filha, é a pessoa mais doce que eu conheço, amiga dos animais, sejam irracionais, sejam racionais (estes nem todos, como é fácil de entender-se).
    Se for minha filha, um beijão.
    Joacil C. Oliveira


    Tarlei
    3 de agosto de 2011

    Caro Joacil,
    Sou um animal racional (!) que tenho a sorte de ser amigo da querida Ângela — e entendo perfeitamente que ela não seja amiga de todos os da espécie. Devo dizer que terei enorme prazer em ser amigo, ainda que virtualmente, do pai da Ângela.
    Sabendo que a Ângela nada falou do blog para você, fico espantado com a visita. O que me resta é agradecer à bússola desgovernada que trouxe à praia do blog um errante e ilustre navegante — o pai da minha amiga Ângela.
    Obrigadíssimo pela visita e pelo comentário!
    Abs,
    Tarlei


    Angela Delgado
    12 de agosto de 2012

    Quando li o título, sabia que era você esse “vira-lata” de raça.
    Mas bote raça nisso! E então vem daí a sua alta qualidade. Não estão dizendo que somos o que comemos?


    Tarlei
    12 de agosto de 2012

    Ângela,
    me afeiçoei a esse ofício de vira-letras e não paro mais de latir. A propósito, reparou que tenho o verbo “latir” no meu nome? Cumpro a sina.
    Abs,
    Tarlei






© 2017 - ArteVida – A vida sem a arte é insustentável – Blog do Tarlei Martins - todos os direitos reservados
Design: V1 Digital - desenvolvido em WordPress