Força estranha ©
Categoria: Música

A cobra morde o próprio rabo. Senão veja: quanto mais escrevo, mais escravo. Quanto mais escravo, mais escrevo. Não tenho saída. É absolutamente insano esse gosto de desembarcar numa tela em branco quase todo dia, ainda mais quando se sabe que “escrever em telas se assemelha a riscar na areia” (Ana Elisa Ribeiro). Que força estranha comanda esse gosto de vestir de palavras insignes o em si insignificante? Sem querer, acertei na cabeça quando afirmei que pratico uma escrita baldia, reles, miúda. Tudo a ver. Me junto ao Manoel, o de Barros, e digo que “trato com trastes”, com o que apanho do chão da vida. Disso resulta um texto errático cuja órbita vai até o limite do que alcanço com a minha vida – uma vida que prefere a via dos discretos percursos. Sendo a matéria dos textos a mais ordinária, busco para o que escrevo uma inflexão criativa, uma efusão lírica, uma graça de graça… Às vezes consigo; muitas vezes, não. Por isso fico à procura de uma pós-graduação em Escrita Criativa, fico namorando os cursos oferecidos pela Oficina de Escrita Criativa. Dia virá, e já não tão longe, em que poderei fazer (ou não) tudo quanto quero.

 

© Nota de canapé: Linda canção de Caetano Veloso, sucesso na voz do Rei. A gravação perfeita para mim é da Gal Costa, só com voz e violão.


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