Para viver um grande amor ©
Categoria: Literatura

“Amar é mudar a alma de casa” – disse o poeta Mario Quintana. Esse sair de si, tão necessário ao amor, parece incompatível com os tempos atuais, regidos pelo que Gabriel Perissé denominou “individualismo de massa”. A experiência amorosa vem-se tornando rarefeita em meio aos apelos imediatos do descompromisso, do “é com esse que eu vou ficar”, dos prazeres fáceis. Tudo convida à superficialidade, à frouxidão dos vínculos, ao egoísmo satisfeito. E para se viver um grande amor, a mais radical experiência de alteridade, é preciso comunhão plena – e onde há comunhão não pode haver egoísmo.

Para se viver um grande amor é preciso tecer um fio que vai de si ao outro, e nele se equilibrar sobre um abismo de inseguranças e incertezas. Para se viver um grande amor é preciso um alargar-se mútuo para um caber no outro. Para se viver um grande amor é preciso fazer das palavras uma rede com que se proteger das armadilhas do silêncio e da indiferença. Para se viver um grande amor é preciso aprender a olhar para além de si.

A vivência amorosa, de tanto que exige de quem pretenda experimentá-la em plenitude, parece não ter sido feita para amadores. No entanto, não há maior espaço para amadores do que no amor. E tudo porque, como disse Guimarães Rosa, “qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”.

No fim de tudo, por mais que se voeje beija-flor por vários corpos, resta sempre uma solidão essencial que só o amor de verdade preenche. Porque o amor é isso: “duas solidões protegendo-se uma à outra” (Rainer Maria Rilke).

© Nota de canapé: Para viver um grande amor é imprescindível ouvir este poema de Vinicius de Moraes.


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    Inês Lempek
    13 de junho de 2011

    Quintana, Guimarães Rosa, Rilke, Vinicius, e Tarlei…
    disseram tudo!
    Muito bom!
    Parabéns,
    Inês






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