Os fios da memória ©
Categoria: Literatura

Ando com a memória péssima. Vivo à base de bilhetinhos. Durante a leitura de todo dia, às vezes me ocorre um assunto que pode render um post. Não anoto de imediato pensando que não vou esquecer. Quando tento me lembrar, o assunto já foi tragado irremediavelmente pelo buraco negro do esquecimento. E pensar que eu tinha uma memória fabulosa!! Por conta disso até cometi a façanha de me inscrever num daqueles programas tipo o “Show do Milhão”. O nome do programa não me lembro (claro!), mas era na TV Manchete. Eu ia responder sobre Cora Coralina. Cheguei até a iniciar correspondência com uma de suas filhas, a Vicência. Essa filha escreveu uma biografia romanceada da mãe. Chama-se Cora Coragem: Cora Poesia. Não sei o que teria acontecido se isso tivesse ido adiante. O programa felizmente acabou antes. E a TV Manchete, logo depois.

Há um conto de Borges que se chama Funes, o memorioso. Trata-se de alguém que não esquece absolutamente nada. Mas porque nada esquece, ele também não consegue pensar. Não sobra espaço na memória para o pensamento. Daí vem o consolo de que devo estar pensando muito, já que não me lembro de quase nada. Ou por outra: sou alguém, sim, memorioso, mas os fios da memória se embaralham de tal modo que não há certeza alguma do lembrado. É lembrança real? Ou lembrança imaginada?

Ah, que a deusa Mnemosyne me resgate!!

 

© Nota de canapé: Livro de estreia da escritora Adriana Lisboa, que mantém o blog Caquis Caídos.


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