Os mais doces bárbaros ©
Categoria: Música

Morar só me obriga a comer fora todos os dias. Nos fins de semana acabo preferindo a comodidade dos shoppings – moro pertinho de um. O problema é suportar a falta de civilidade que reina por ali. É um fato curioso considerando que o lugar é frequentado por gente de certo poder aquisitivo e de quem se espera uma civilidade – não peçamos muito – no mínimo mediana. Na praça de alimentação de um shopping deve-se esquecer todas as regras de civilidade e partir logo para a grosseria. O catálogo de grosserias é enorme, mas uma em especial é gritante: a disputa por mesas. Há os que – feito feras – marcam seus lugares com bolsas, chaves, celulares… E se alguém, por descuido, olha para a mesa deles, de longe gritam hostis, quase enfurecidos: “tá marcada”. Pertenço ao clã dos que tentam manter um índice mínimo de civilidade. Terminada a via-crúcis de se servir, começa a procura ansiosa por uma mesa vaga. Ao se avistar uma, corre-se desesperado tentando o impossível: não parecer selvagem. Num átimo passa-se da elegância sóbria à deselegância ruidosa, aflita… E quando alguém consegue se superar em deselegância, ao discretamente elegante cabe suportar aquele ar de fera vitoriosa. Ah, lastimável tudo isso. E pensar que tudo isso acontece num ambiente quase palaciano, com suas instalações suntuárias, nababescas… Num ambiente assim o que se espera encontrar é um coro de “com-licença-por-favor-obrigado-desculpe”. Qual o quê! Não demora e essas palavras estarão banidas do catálogo das delicadezas – que anda cada vez mais magro… É de chorar – de rir.

 

© Nota de canapé: Canção de Caetano Veloso que embalou a turnê dos Doces Bárbaros. Os doces bárbaros eram Caetano, Gil, Bethânia e Gal.


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