Mãe ©
Categoria: Música

Toda mãe, no seu poder de fecundar, se parece um pouco com rio. É nas águas amnióticas do leito da mãe-rio que os filhos-peixes navegam até desaguarem no mar do mundo.

Toda mãe, na maré (amar é) incessante do seu amor, se parece um pouco com mar. A mãe-mar não se cansa de movimentar seu amor, feito onda, na direção dos filhos lançados além-mar.

Toda mãe, na sua solidez, na sua generosidade, na sua proteção, na sua doação, se parece um pouco com árvore. Os filhos-frutos que a mãe-árvore lança à vida carregam a certeza do pertencimento, do amor incondicional; carregam, sobretudo, a certeza de que, nas intempéries, a mãe-árvore estará sempre com o colo-sombra pronto para abrigar.

Toda mãe, no seu às vezes desarrazoado amor, se parece um pouco com fera. Na ânsia de cuidar, a mãe-fera às vezes se machuca e machuca aqueles que quer defender.

Toda mãe, no descompasso do seu amor tão extremado, parece ser toda coração. Ou melhor: toda corações. Afinal, o adágio popular sustenta que, quando se é mãe, cada filho é um coração que bate fora do peito. No seu caso, mãezinha, são três corações batendo fora – e os três batem no compasso do amor e da gratidão. Obrigado!

Feliz dia das mães!

© Nota de canapé: Bela canção de Caetano Veloso. Gal Costa gravou no LP/CD Água Viva.


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    Inês Lempek
    8 de maio de 2011

    Tarlei,
    Parabéns por este texto tão sensível! Grata surpresa visitar o seu blog, de muito bom gosto! Muito bom navegar por estas águas literárias, musicais…encontrei por aqui autores já há muito meus conhecidos de navegação (leituras)… também alguns blogs que costumo navegar…
    Espero ler muitos outros textos seus, eu sei bem que escrever é um ato solitário, e que quem escreve não quer palco… os músicos e os atores querem ver de perto sua platéia, ouvir o som dos aplausos, ver os sorrisos de perto… o escritor fica nos bastidores, o leitor quase sempre é um desconhecido, MAS… quem escreve quer ser lido! Portanto, escreva mais, mostre seus escritos… jogue-se na arena, não tenha medo dos leões…
    E, claro:
    “A vida sem a arte é insustentável”
    Você escreve muito bem,
    Parabéns!
    E um beijo na sua mamãe,
    Inês


    Tarlei
    9 de maio de 2011

    Inês,
    Obrigado pela sua visita e, mais ainda, pelo seu comentário. Você sabe o que diz, poeta tão sensível que é. Eu sou um tímido que, de tanto se ater, agora resolveu se atrever. O blog é o repositório daquilo que colho lançando para a Senhora Dona Vida meu olhar mais que amoroso.
    Ontem mamãe foi beijada e abraçada como merece!
    Abraços,
    Tarlei






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