Quilombo ©
Categoria: Música

Meu caderninho de ser inútil é o barco onde jogo minhas palavras. Ponho nele as frases que recolho – feito um Noé – do oceano sem fim da vida. Depois essas frases vêm aportar aqui na tela. Apesar de abundantes, essas frases não se deixam pescar facilmente. Escorregam feito peixes vivos. É preciso insistir muito com o anzol da paciência, da espera, da disponibilidade, da imaginação… Por isso escrever escraviza, mas também é a única libertação… Em busca de um texto mínimo, eu, escravo, vou para o eito quase todo dia, sem quilombo à vista. Isso exige de mim o que não tenho, ou tenho muito pouco. E pra quê? Tudo pela recompensa da verdadeira lei áurea: o prazer de ser lido. O prazer de ter escrito (porque não há o prazer de escrever) só se paga com o prazer de ser lido. Havendo comentário, então, é a lei áurea coberta com diamantes.

 

© Nota de canapé: Parceria de João Bosco e Aldir Blanc, gravada originalmente pelo João Bosco no LP Cabeça de Nêgo, de 1986.


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