A luta corporal ©
Categoria: Literatura

No precioso livro Rosa autor, Riobaldo narrador: Veredas da vida e obra de João Guimarães Rosa, do professor Carlos Alberto dos Santos Abel, leio este conselho de Guimarães Rosa: “Muita leitura e um constante exercício de escrevências”. A leitura em minha vida já vem de muito tempo. Já as escrevências, ainda que não de todo ausentes da minha vida, vinham tendo a marca da intermitência. Vinham – porque agora, tendo o compromisso de povoar de nonadas este blog, virou prática quase diária, tal qual a leitura. Claro que se trata de um escrever mínimo, breve, despretensioso, brincante… Não importa. Qualquer que seja o propósito da escrita, as palavras, essas entidades mágicas e poderosas, estão sempre em jogo. E não é fácil agarrá-las, fumo leve que foge entre nossos dedos. É bem possível que o gosto de persegui-las venha dessa dificuldade que elas impõem a quem queira domá-las. Certo é que elas só se entregam a quem delas se enamora, a quem lhes presta irrestrita vassalagem, a quem sabe que a palavra é esquiva, volátil, voluntariosa e, sabendo-o, corteja-a de modo paciente, humilde, sem eliminar o risco de, mesmo assim, ela não se entregar. É uma luta corporal. Ah! mas quando elas resolvem, beija-flores, pousar no branco da página, é uma alegria só! Essa alegriazinha quase diária é o alpiste com que alimento minha humildade.

 

© Nota de canapé: Importante livro do poeta Ferreira Gullar.


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