A família que me dei ©
Categoria: Literatura



 

O universo familiar mais imediato é pequeno. Ao redor dele avulta a grande família que se ramifica generosa em vários tios e primos, todos muito queridos. Durante muito tempo a família viveu quase toda em Buriti Alegre, cidadezinha do interior goiano. Hoje estamos bem espalhados e os encontros, por isso, estão bem mais espaçados.

Último fim de semana foi ocasião de um grande encontro. O motivo: o aniversário de 50 anos de um primo, querido de todos. Ele e a esposa se desdobraram na tarefa de reunir a família. Reunir todo mundo seria quase impossível e logisticamente impraticável. Mesmo não se reunindo toda a família, não foi fácil dar conta de tanta gente junta. Felizmente temos uma vocação de comunidade e tudo saiu a contento. Éramos convidados e também, em alguma medida, anfitriões.

Celebramos esse encontro familiar com muita festa (três dias), muito riso, muito papo, muita animação, muita dança, muita comida, muita bebida – muito tudo… E nesse tudo não podiam faltar uns desentendimentos, uns excessos, uns dramas expostos, afinal, “problema na família quem não tem?” (Chico Buarque)… No fundo, nada mais do que o coração humano aberto na sua fragilidade sedenta de acolhimento… Tudo muito humano, demasiado humano.

Agradeço ter nascido num núcleo familiar assim numeroso. Pra quem, como eu, é apaixonado por gente, família grande propicia um precioso exercício de alteridade. A intimidade natural que se tem em família, reforçada pelos anos de convívio estreito, faz muito bem à minha timidez quase patológica. Em família, para usar uma expressão do Nelson Rodrigues, me sinto um “extrovertido ululante”. Foi a bordo dessa extroversão que, no último dia da festa, dancei até o sol raiar. Não podia perder aquela ocasião de “viver e não ter a vergonha de ser feliz” (Gonzaguinha).

Sim, foi bonita a festa, foi bonito o encontro.

 

© Nota de canapé: Assim Drummond batiza a seção de poemas dedicados à família na famosa Antologia Poética (Ed. Record) por ele organizada e cuja primeira edição é de 1962.


(3)


    Tamara
    1 de maio de 2011

    Foi realmente um feriado e tanto.
    Festa boa, com muita gente animada.
    Essa ficou na história.

    Beijos


    Natália
    1 de maio de 2011

    Que belas palavras, hein titio?!…
    Você estava muito animado. Eu gostei de ver!
    Gostei tanto que fiquei até o sol raiar com você (hahaha)…Foi muito bom!
    Beijos


    Nora
    2 de maio de 2011

    Como sempre, você se destaca em suas escritas. Realmente nos sentimos muito à vontade com eles e acredito ser recíproco da parte deles. Adorei ver você tão animado, alegre… E essa frase do Gonzaguinha é tudo de bom. Te adoro. Beijos!






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