Banalogias ©
Categoria: Literatura

Causou um certo tititi o livro O culto do amador, escrito por Andrew Keen, um outrora empreendedor do Vale do Silício que atualmente publica artigos sobre mídia, cultura e tecnologia. O alvo do livro é a web 2.0. A tese é de que a pirataria digital e o narcisismo desenfreado (do tipo: não quero saber de notícia; eu sou a notícia) estão destruindo nossa economia, cultura e valores. Acho tudo um pouco apocalíptico pro meu gosto. A verdade é que paira mesmo uma certa inconsequência no mundo on-line. Mas isso são tendências, desvios que a nossa sensibilidade vai, assim acredito, corrigindo aos poucos. Milênios de civilização ainda não conseguiram extirpar de todo nosso instinto bárbaro. Outros milênios são precisos. Mesmo assim, não deixa de ser desolador assistir à apoteose da mediocridade. O amadorismo é o dono do pedaço. A idade mídia em que vivemos consagra o medíocre, o raso, o que não tem mérito nenhum a não ser o fato de tornar-se visível. Daí que o céu do ciberespaço está cada vez mais inundado de zilhões de blogs e companhia (Twitter, Orkut, Facebook, YouTube, MySpace etc)… Ah! pobre idade mídia que, ao contrário do que se pensa, tem a sua quota de obscurantismo (que vem pelo excesso de estímulos) e lembra a sua prima distante, a idade média. Olhando bem, a Internet é, como dizia Paulo Francis, um repositório de inutilidades. É muito joio e quase nenhum trigo. E se a lei da seleção natural prevalecer no meio digital, o pouco trigo é capaz de não sobreviver. Prefiro não acreditar nisso. Não, apocalipse never!

 

© Nota de canapé: Livro do ensaísta Francisco Bosco. O título brinca com o famoso Mitologias, do Roland Barthes.


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