Quem, eu? ©
Categoria: Literatura

Gabriel Perissé, um doutor em Educação, autor de vários livros, apaixonado por leitura, defende a tese do plágio criativo. Não sei se porque tenho uma índole de plagiador – adoro me apropriar do que é bom –, o fato é que me identifico muito com a tese. Se gostei, pego pra mim. Sou um saqueador (sem culpa nenhuma) de sacadas que considero geniais. Diz o Perissé: “Devemos ser tão bons ladrões que ninguém perceba que fizemos com o alheio algo melhor.” E conclui: “O plágio criativo perfeito é quando o roubo é seguido de assassinato, e nem precisamos citar a vítima, cuja alma absorvemos e cujo corpo escondemos dentro do nosso próprio texto.” Intertextualidade é o nome que os teóricos dão ao procedimento da absorção retrabalhada de outro texto. Plágio criativo é o que de fato ocorre, mas há a carga depreciativa da palavra plágio. Venho me especializando com afinco na arte do plágio. Ah, e como a leitura municia de achados um espírito plagiador! Se me acusarem de plagiário, faço cara de escândalo e pergunto: “Quem, eu?”. E respondo com esta quadrinha do Mario Quintana: ”Qualquer ideia que te agrade, / Por isso mesmo… é tua. / O autor nada mais fez que vestir a verdade / Que dentro em ti se achava inteiramente nua.”

 

© Nota de canapé: Um delicioso livro autobiográfico do poeta José Paulo Paes (1926-1998).

 


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