O tempo vivo da memória ©
Categoria: Literatura

“É possível envelhecer sem estridência”, disse Adélia Prado numa entrevista. Nélida Piñon escreveu num conto de que particularmente gosto (cito de memória): “Desço as escadas com a mesma contrição de quando estava a subir”. Affonso Romano, grande poeta e crítico, se admira das pessoas “que, embora roxas de levar tanta pancada na vida, têm um arco-íris na alma”. É assim que desejo a minha velhice (que já me espreita numa esquina do tempo, logo ali): sem estridência, com alguma altivez e um arco-íris escondido na alma. Além disso, desejo ter uma velhice memoriosa, não fosse a desmemória tomando conta de tudo. Para Rubem Alves, “o trabalho de guardar as vigas descartadas de nossas vidas é realizado em nossas memórias”. Da minha memória posso dizer que ela retém apenas o risco do bordado. O que é bom porque aí vem a imaginação e colore tudo com as cores que lhe aprouver. Não é excitante envelhecer?

 

© Nota de canapé: Livro da professora Ecléa Bosi.


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