Codinome beija-flor ©
Categoria: Música

Pela leveza que é o componente fundamental da minha escrita, creio poder reivindicar para mim o codinome beija-flor. Meu ofício é voejar ávido em redor da vida, pousando de leve na flor do meu viver e do viver alheio. E com que interesse pouso no que floresce da vida!! Não ignoro as funduras tantas, próprias do viver. E sei também das feridas inscritas no mapa da alma de todos nós. À parte isso, o que gosto mesmo é de recolher o sumo da vida se vivendo distraída. Gosto de me aproximar beija-flor do que a vida entrega de si. É meu jeito de auscultar o coração da vida. Tudo pode ser dito, mas há jeitos e jeitos de dizer. Eu prefiro o dizer que vai no tom da sugestão leve, sem a contundência do dizer incisivo, em linha reta. A vida, às vezes, dói, grita, pulsa, lateja. Não há que esconder isso. Mas há que escolher bem o modo de dar notícia dessa dor, desse grito, disso que pulsa e lateja. Onde está dito que mesmo o mais irremediável dos sofrimentos não pode ser enfeitado? Em tudo na vida há espaço para a delicadeza. Que me perdoem os brutos, mas delicadeza é fundamental. Delicadeza e leveza são irmãs siamesas. Não abro mão de andar de mãos dadas com elas. Gosto de andar leve, cuidando que os passos sejam delicados. Caminhando leve, estou sempre disponível para recolher as pétalas que os viventes, entregues ao ofício de viver, deixam cair no chão da vida. E sendo já longo o tempo dedicado a juntar pétalas pelo caminho, um imenso tapete florido se desdobra atrás de mim. Mas, beija-flor, sou atraído mesmo é pelas flores que ainda aguardam meu pouso leve e breve.

© Nota de canapé: Parceria de Ezequiel Neves, Cazuza e Reinaldo Arias.


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