Atento aos sinais ©
Categoria: Música

Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
(Drummond)

Não sou um leitor atento da cena política. Nem atento, nem, às vezes, interessado. O cenário muda quando se trata de uma eleição presidencial. Aí é preciso ficar atento aos sinais, é preciso ler o que vai nas linhas e entrelinhas. Não dá pra não participar, pra ficar à parte. O cenário que se oferece à leitura é dos mais confusos e a leitura tem de se apoiar em fontes nem sempre confiáveis. O que tenho lido não é nada animador. Muito do que leio aponta para uma frase do Coetzee, o Nobel sul-africano, que fala da necessidade de se “detectar o germe da desonestidade no coração da convicção”. Quando leio de pessoas que respeito defesas tão convictas de qualquer dos lados envolvidos na disputa, eu só posso concluir que no coração de uma tão inabalada convicção vai um pouco de desonestidade. Porque a verdade é que ambos os lados estão implicados em mensalões, propinas, desmandos – para dizer o mínimo. E isso, no mínimo, é bastante para que nem um dos lados seja merecedor de adesões convictas. O ponto então é: de qual dos lados em disputa se pode esperar, não um bem maior, mas, nas atuais circunstâncias, um mal menor? Encaminhada assim a questão, parece que uma escolha claramente se impõe – pelo menos na leitura que faço e sem querer dizer que se trata de leitura correta. Não quero crer que, mais uma vez, cairemos no engodo do discurso salvacionista que é o tom de um dos lados – sem contar que o discurso vem colorido com um tom de famigerada memória. Não quero admitir que o antipetismo a qualquer preço pese mais na balança do voto. Alternância do poder, sim. Mas com a alternativa que se apresenta?

Devo confessar que não tenho uma natureza militante, mas considero a militância fundamental. O difícil é ter de aturar certa militância xiita e chaata que pulula nas redes sociais. Aí peço, contrito: dos militantes xiitas, Deus me livre! Dos militontos chaatos, Deus me livre e guarde! Sigamos.

© Nota de canapé: Título do mais recente CD do Ney Matogrosso.


(2)


    Rosa Amélia P. Silva
    22 de outubro de 2014

    Sou militante, tento não ser xiita e muito menos chaata… rsrsrsr
    Beijo, adorei o seu texto, aliás, tudo o que você escreve é belo… lindamente belo…


    Tarlei
    22 de outubro de 2014

    Rosa, minha amiga, sua militância é informada, atenta, e passa muito longe da militância xiita e chaata a que fiz menção.
    Beijos e obrigado!
    Tarlei






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