Sina ©
Categoria: Música
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Olhando agora pelo retrovisor da memória posso dizer que escrever é minha sina. Muito antes de virar leitor (e eu virei leitor demasiado tarde), eu já tinha um encantamento pela palavra, pelo que levava a assinatura da imaginação.  O primeiro texto de que me lembro foi encomendado por um primo. Era um discurso para ser lido durante a campanha do grêmio escolar de que ele participava. Não faço a menor idéia do que escrevi, mas me lembro (ou será que se trata de uma falsa memória?) de ter usado a palavra “repertório”. A palavra me ficou por eu tê-la usado sem saber-lhe o significado. É a memória da culpa por ter, quem sabe, cometido alguma impropriedade semântica. Depois veio um concurso de redação na escola e o tema era “petróleo”. Do que escrevi me ficaram apenas duas frases incompletas. Uma delas: “Apesar das escassas fontes petrolíferas aqui existentes [...]”. E a outra: “[...] o cobiçado ouro negro”. A amostra é mínima, mas dá bem a medida do diapasão em que o texto se fez. Montado nesses lugares-comuns, acabei ganhando o concurso. Um pouco mais à frente, uma redação mereceu leitura em voz alta para toda a turma. Jamais me esquecerei do professor de cursinho que cobriu de espanto e felicidade meus infatigados olhos adolescentes. O nome dele? José Luiz Amzalak. Na adolescência, período em que se é todo insegurança, um mínimo elogio pode ir ao encontro (e com muita força) de algo que secretamente se intui: acho que sirvo para isso. E um elogio distraído pode desenhar uma sina, um destino. Fui em frente. Aos 19 anos, virei bancário e virei leitor. Bancário nas horas pagas e leitor nas horas vagas. Anos e anos de leitura. Havia um mundo a descobrir. Nesse tempo de descoberta, havia pouco espaço para a escrita. Houve, sim, três tentativas de diário – a última delas terminou ao fim de três dias e é a única que deixou vestígios. Houve a fase dos amigos postais e das muitas cartas. Até para a escritora Nélida Piñon escrevi. Para meu espanto, ela respondeu – aventura que já contei aqui. Até que veio o desejo de iniciar uma interlocução por escrito com uma amiga muito querida. E a interação, que nasceu sob o signo da mais absoluta liberdade e descompromisso, foi crescendo, crescendo, crescendo… Cresceu tanto que chegou a hora em que tive de conter a avalanche de textos que se avolumava com a força de uma pororoca. A grafomania rendeu mil e um textos, parte dos quais veio desaguar aqui no blog. E parte do que desaguou no blog, foi ancorar nas páginas de um livro. Dele, o livro, digo apenas que é Quase Nada. Isso é tudo. Onde isso tudo vai dar? Em mais do mesmo, ou seja, em quase nada!!

© Nota de canapé: Canção do Djavan.


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    Marineide Miranda s. Oliveira
    28 de setembro de 2014

    Sempre bom te ler, muito bom te ter!!!
    Beijos, Tarlei


    Tarlei
    29 de setembro de 2014

    Sempre bom te ter por perto, muito bom te ver se espraiando no mar da generosidade!! Obrigado!
    Beijos, Mari!






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