Quem ama literatura não estuda literatura ©
Categoria: Literatura

Embora cercado de pendências por todos os lados, ainda assim quero ver se consigo levar adiante um projeto de mestrado em literatura. E coisas têm acontecido em torno desse desejo. Ao participar de uma pós lato sensu em Letras, conheci uma professora por quem me apaixonei – Elizabeth Hazin. Apaixonada por literatura, poeta de “poesia sofisticada e límpida” (Marco Lucchesi), sua tese de doutorado foi sobre o Grande sertão: veredas. Logo que ela soube de sua seleção para o doutorado, e embora já tivesse – claro – lido o Grande sertão, resolveu relê-lo nada menos que vinte vezes consecutivas. De loucuras assim nasceu minha admiração por ela. Há tempos encontrei-a na festa da minha orientadora, a também apaixonante Profª Hilda. Sendo eu um tímido ousado, resolvi falar do mestrado. E falei mais: falei do meu desejo de tê-la como orientadora, falei da intenção de me debruçar sobre um autor mineiro contemporâneo que está produzindo uma obra magistral – Luiz Ruffato. Ela topou. Pouco tempo depois, o Ruffato esteve em Brasília num evento promovido pelo T-bone, um açougue cultural. Lá me senti encorajado a dirigir algumas palavras ao Ruffato. Ele pareceu espantado de alguém se mostrar tão entusiasmado com a sua literatura. Gentil, me repassou o seu e-mail. Escrevi-lhe em seguida uma mensagem à qual ele respondeu com palavras mais que generosas. E agora o que é que eu faço? Tenho medo desse projeto tomar o mesmo rumo que está tomando a minha parceria musical (que eu tanto desejei) com um querido amigo: o dos sonhos adiados sine die. Esta é a minha vida.

 

© Nota de canapé: Livro do escritor e professor Joel Rufino dos Santos. Apesar do tom provocativo do título, o que ali se lê é uma defesa apaixonada da literatura. E eu amo tanto a literatura que posso estudá-la sem medo de me desapaixonar.


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