Abobrinhas, não ©
Categoria: Música

Desfruto do conforto de ter uma feira-livre perto de casa. E para maior conforto ainda, ela funciona aos sábados. Todo sábado lá estou eu colhendo alguns víveres e haurindo o cheiro de vida que viceja ali. Não é muito o que compro. Mas há o que prefiro comprar na feira. Abobrinhas? Abobrinhas, não. Estas abundam no meu quintal de nonadas e as disponho todas na tela. Da feira vem doce caseiro, queijo, milho verde, pimenta do reino moída na hora etc. O restante vem de um hortifrúti também perto de casa. Mesmo se não comprasse nada, iria à feira só para não perder ocasião de respirar vida por todos os poros. Tem as donas de casa com seus carrinhos e sacolas, tem os feirantes com seu chamamento de fregueses, tem as conversas entre as donas de casa enquanto escolhem as verduras do dia etc. E tem toda a variedade de vida vegetal exposta nas bancas. Cheiro de feira é bom. Barulho de feira é bom. Quando se está num lugar de intensa vitalidade, não se resiste ao chamado da vida. A integração é imediata – e total. Gostando como gosto de feiras-livres, e sendo a feira um lugar de leitura por excelência (as donas de casa lêem as verduras, os negaceios do feirante; os feirantes lêem o rosto das donas de casa, as intenções de pechincha etc), talvez me anime a virar um circulador de livros, me integrando à trupe que faz acontecer um belíssimo projeto: o Projeto Bibliorodas. É só questão de vencer a timidez. Adoro gente e adoro ler gente e ler livros. Mas sou do tipo que lê em silêncio. Virando um circulador de livros, eu passaria a ser lido por todos os leitores da feira. Será que minha timidez seguraria o rojão dessa exposição? Por ora estou ruminando, com carinho, a idéia.

© Nota de canapé: Canção de Itamar Assumpção.


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