Verdades provisórias ©
Categoria: Literatura

Vamos falar a verdade: é mentira que exista a Verdade. O que existe é um certo olhar para a realidade, e desse olhar nascem verdades provisórias. É no domínio do conhecimento científico e filosófico que o caráter de provisoriedade da verdade mais se evidencia. Se as verdades forjadas no âmbito do rigor das ciências são provisórias, o que sobra para os outros ramos da verdade? A mentira, uma vez manifesta, não deixa dúvidas sobre si mesma. Já a verdade, tão logo proclamada, tem arguída sua presunção de certeza. Nem se pense que os fatos, em aparência incontestáveis, estão a salvo da dúvida. Guimarães Rosa já disse que “tudo, aliás, é a ponta de um mistério, inclusive os fatos”. O que quer a verdade? Se até o tempo é relativo, como nos provou Einstein, como pode algo inscrito no tempo pretender-se absoluto? A verdade é que a verdade é muito ambiciosa, esquecendo-se de uma verdade elementar: “A verdade é uma só: a verdade não é uma só”. A verdade tem múltiplas faces. E todas elas provisórias. Verdades definitivas? Só os poetas nos dão. Leia que bela (e definitiva) verdade escreveu Mario Quintana: “Todos têm seu encanto: os santos e os corruptos. / Não há coisa na vida inteiramente má. / Tu dizes que a verdade produz frutos… / Já viste as flores que a mentira dá?”.

© Nota de canapé: Livro do escritor Nelson de Oliveira.


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    Diogo
    10 de abril de 2014

    Brilhante!


    Tarlei
    11 de abril de 2014

    Exagero seu, Diogo. Em todo caso, sabendo o leitor crítico que você é, sua percepção (exagerada, repito) me deixa contente. Obrigado!
    Abs,
    Tarlei






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