Belo belo ©
Categoria: Literatura

(PSiu: Dedicado à amiga Marineide Oliveira)

Fim de manhã, finzinho de um programa de TV e um momento de beleza surgindo na tela – beleza tanto mais apreciada quanto mais se sabe o tão pouco espaço que há para o belo na TV aberta. Foi um pequeno momento que durou o tempo de uma música – mas quanta beleza coube ali! Falo da beleza que foi ouvir Milton Nascimento, com aquela voz que Deus lhe deu, cantando a belíssima Clube da Esquina 2 (♪). Fui tomado por aquele sentimento que Vinícius de Morais pôs nestes versos: “Resta essa vontade de chorar diante da beleza”. Ouvi a música com uma insistente neblina nos olhos. Se não me falha a percepção, a pequena platéia presente no programa parecia tomada pelo mesmo sentimento. A imagem de Milton cantando era alternada com imagens de pipas, de pessoas soltando pipas – pipa foi um dos temas do programa. Não foi preciso mais que uma música, uma voz, umas pipas no ar, para se armar na tela uma beleza rara de se ver. E via-se na pequena platéia aquele arrebatamento que o belo põe na nossa cara, fazendo-nos dizer sem palavras: “Deus, como pode tamanha beleza?!”. Desejo que o belo que me tocou naquela manhã possa ter tocado outros tantos, feito eu, famintos de beleza. E nisso a TV aberta é imbatível: o que ela irradia, para o bem e para o mal, atinge a casa de milhões. Em agradecimento, resta invocar Adélia Prado: “Beleza não é luxo. É ne-ces-si-da-de”.

(♪) Não consegui achar o vídeo do programa, mas a canção pode ser ouvida aqui.

© Nota de canapé: Belíssimo poema do nosso Manuel Bandeira. Pode ser lido aqui.


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