Sebastião ©
Categoria: Música

A primeira vez no Rio é daqueles deslumbramentos pra sempre inesquecíveis. A beleza de cartão-postal que encanta qualquer olhar, quando vista ao vivo encanta mais ainda. Sempre desconfiei da beleza de cartão-postal. O Rio cancelou minha desconfiança. Jamais me esqueço do alumbramento que foi a vista do Rio na subida do trenzinho do Corcovado. A beleza da vista vai se revelando aos poucos, não de todo. Conforme o trecho por onde o trenzinho passa, uma nesga de beleza se mostra para logo se esconder e de novo se desvelar um pouco mais em outro trecho. A cada vislumbre de beleza, o espanto de uma tal beleza ser possível. Depois dessa experiência epifânica de beleza, o Rio ganhou de mim um olhar mais que encantado. Sim, o Rio de Janeiro continua lindo. Sim, CaRIOcas são bacanas. Sim, é a cidade-maravilha, purgatório da beleza e do caos. Sim, é uma cidade partida, repartida entre o morro e o asfalto. Crivado de violência, feito Sebastião, o santo que lhe deu nome, o Rio não renuncia à beleza que é seu estandarte. Cravado numa geografia de mar e montanha, a beleza do Rio “quase arromba a retina de quem vê” (Chico Buarque). A beleza o redime, Rio, dos pecados da violência. Velam por ti o Redentor, o Pão de Açúcar, as pedras do Arpoador, o calçadão de Copacabana, o Sambódromo, a floresta da Tijuca, e o mar imenso a teus pés. Hoje é teu aniversário, Rio, e de longe mando aquele abraço! Que a mão do tempo e do homem continue guardiã de tua beleza – beleza nascida da mesma mão do tempo e do homem. Amém!

© Nota de canapé: Parceria de Gilberto Gil e Mílton Nascimento.


(0)





© 2017 - ArteVida – A vida sem a arte é insustentável – Blog do Tarlei Martins - todos os direitos reservados
Design: V1 Digital - desenvolvido em WordPress