Adeus dias doidos ©
Categoria: Música

Diz-se de Macunaíma que é um herói sem nenhum caráter. Eu digo de mim que sou um herói sem nenhum heroísmo. Sou o herói que, por trinta e um anos, levou uma vida obscura de bancário. É com esse histórico de heroísmo que dou, hoje, adeus aos números, sem qualquer ato heróico a não ser o da pura resistência. Uma mão dá adeus aos ossos do ofício, a outra já dá as boas-vindas aos ócios do ofício. Rubem Alves diz que vida afora carregamos duas caixas: uma de ferramentas, outra de brinquedos. Precisamos de espaço na vida para as coisas úteis e inúteis. O profissional dos números fecha, hoje, a caixa de ferramentas, de pouca ou nenhuma serventia daqui por diante. O amador das letras agora só vai cuidar da caixa de brinquedos – que só era aberta nas tão poucas horas vagas sobrantes das horas pagas. Em todo caso, não há como não ser grato aos números. Eles é que financiarão o ócio de todas as futuras horas vagas que pretendo dedicar ao ofício de amador das letras. O profissional dos números sai de cena com o sentimento de dever cumprido. O amador das letras agora será o dono do pedaço. O profissional dos números sempre teve muito o que fazer. O amador das letras espera ter muito o que lazer. Então é hora de repetir: adeus dias doidos. E quando digo dias doidos, é no sentido tanto de loucura e correria quanto de diversão. Depois de trinta e um anos de dias doidos, alguns doídos, esta certeza: tudo valeu a pena.

© Nota de canapé: Canção do Chico César.


(8)


    Alexandra
    18 de fevereiro de 2014

    Querido Tarlei,

    ao ler seu declarativo “fui”, escuto um fulgurante “cheguei”! Vejo os anjos que abrem as portadas do céu das letras reverenciarem a sua entrada, cobrindo-o de celestial harmonia!

    Que você seja o dono absoluto do pedaço e que sempre tenha muito que lazer! Confesso que fiquei emocionada com suas declarações…

    Um mui carinhoso abraço,
    Alexandra


    Marineide Miranda
    18 de fevereiro de 2014

    Tarlei, amigo querido,
    bom saber que agora vai fazer só coisas bacanas, ler, escrever, ouvir música, viajar, ser. Ser, sem obrigatoriedade de horários, luta pela sobrevivência financeira (rs), sobrevivência! Viva, sonhe e voe. Voe como sabe, como ainda não tentou e como ainda não sabe que pode. Continuarei lendo o que posta e gostaria um dia de conhecê-lo pessoalmente. Felicidades, saúde e muitos sonhos.
    Carinhos,
    Marineide Miranda S. Oliveira


    Luci Afonso
    18 de fevereiro de 2014

    Bem-vindo ao paraíso das horas plenas de palavras!


    Eliane
    18 de fevereiro de 2014

    Felicidades, querido! Vc vai amar brincar com sua caixinha de brinquedos na hora que quiser — pura alegria!


    Tarlei
    19 de fevereiro de 2014

    Querida Eliane,
    nem bem comecei e já tô adorando… E o melhor de tudo: poder brincar sabendo que a brincadeira não tem hora pra acabar.
    Bjs,
    Tarlei


    Tarlei
    19 de fevereiro de 2014

    Obrigado, querida Luci! Chego “ao paraíso das horas plenas de palavras” com plena disposição para brincar/lutar com palavras.
    Abs,
    Tarlei


    Tarlei
    19 de fevereiro de 2014

    Querida Marineide,
    é só o que pretendo: viver, sonhar, voar. E seguirei voando enquanto resistirem as asas…
    A gente precisa se conhecer. Não há de faltar oportunidade.
    Obrigado pelo lindo comentário!
    Bjs,
    Tarlei


    Tarlei
    19 de fevereiro de 2014

    Querida Alexandra,
    a mim me emociona a sua delicadeza. Muito obrigado pelas palavras!
    Lutar com números lutei quase uma vida inteira. Agora fico por conta da luta sem fim com as palavras.
    Abs,
    Tarlei






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