Asa ©
Categoria: Música
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Há quatorze anos fiz meu ninho numa asa de Brasília. Nessa asa está o meu eixo. Embora voe bastante para as visitas à família, sei que daí a dias estarei aconchegado à asa que me dá eixo. Esse fluxo está prestes a inverter-se. Por muito tempo, fui ave que ficou longe do ninho apenas quando o calendário assinalava férias, feriados, licenças. Daqui a pouco, o ninho principal será em Uberlândia, o que me obrigará a adotar hábitos de ave migratória, vez em quando batendo asas em direção ao pouso de estimação – e nele buscando restabelecer meu eixo. Sorte a minha de poder contar com um ninho extra para onde poderei voar sempre que me sentir demasiadamente distante do meu eixo. Por ora penso em vôos mensais, mas não descarto vôos emergenciais. Brasília é meu sonho feliz de cidade. Abençoado o dia em que pousei numa de suas asas. Aqui consigo a façanha de voar sem perder meu eixo. Não é que eu desgoste de Uberlândia, mas aqui é o lugar de onde não quereria bater asas. Por isso serei com freqüência ave no céu a bordo de um avião indo ao encontro da asa que me dá eixo. As circunstâncias me obrigam a voar para fora da asa. E eu me obrigo a não me distanciar por muito tempo do meu eixo. Assim mantenho as asas sempre prontas pra voar.

© Nota de canapé: Canção do Djavan.


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