Tanto faz ©
Categoria: Literatura

Não sei onde arranjo forças para enfileirar tantas palavras há tanto tempo. Tanto faz se tenho assunto ou não, tanto faz se tenho tempo ou não, tanto faz se o texto faz sentido ou não, tanto faz se escrevo sobre isso ou aquilo, “tanto faz que eu me esqueça do meu compromisso, com isso ou aquilo que aconteceu dez minutos atrás”, tanto faz como tanto fez, é certo que quase todo dia um texto escorre para o papel. E de três em três dias um texto desliza pela tela. Nessa brincadeira, completo hoje 400 postagens. Tanto tempo e tantas palavras depois, tudo continua tal e qual. Onde arranjo tanto tempo, e disposição, e paciência para agarrar com palavras quaisquer acontecimentos ou desacontecimentos? Eu nada sei. E não sabendo, quase todo dia cuido de emendar uma palavra na outra. Tantas palavras enfileiradas podem levar a lugar nenhum. Tanto se me dá. Eu lá preciso chegar a algum lugar? Contento-me só em estar a caminho. Para onde e para quê não têm a menor importância. Mas uma coisa sei: “Sei que não vou por aí”. “Só vou por onde me levam meus próprios passos”. E no meu passinho miúdo vou indo, ora por aqui, ora por ali. Tanto faz se numa direção ou noutra, o que quero é caminhar. E nada melhor que seguir “caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento”.

© Nota de canapé: Livro tido como um clássico dos anos 80, de autoria de Reinaldo Moraes.


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