Cotidiano ©
Categoria: Música

Assisti, há algum tempo, um espetáculo de Elisa Lucinda chamado Parem de falar mal da rotina. É uma celebração do cotidiano. Aí vem a (Santa) Adélia Prado e diz que o cotidiano é um tesouro, é a nossa única posse, nele está o extraordinário, está toda a nossa metafísica… Tenho com Adélia um caso de profunda identificação: sempre que a ouço tenho vontade de me prostrar aos seus pés. Sério! E quando a ouvi na Flip de 2006, a emoção me nocauteou, como está contado aqui. Adélia me fala tanto com sua palavra poética e quase nada consigo dizer dela. No dia do aniversário de Adélia (13 de dezembro) falei com uma de suas filhas graças à coincidência de trabalharmos numa mesma empresa. Foi pela filha que fiz meus parabéns chegarem à queridíssima Adélia. Antes dos parabéns, cuidei de fazer Quase Nada chegar até ela. Depois que faço o que faço, vem sempre o arrependimento. E me pergunto: precisava? Que falta fará Quase Nada na vida de Adélia, poeta altíssima? Falta nenhuma! Que a piedade de Adélia não me negue o perdão pelo atrevimento. Precisamos todos de piedade. Então invoco: miserere nobis! (tem piedade nós!). E creio que não falta piedade em Adélia, tão funda compreensão ela tem dos desvãos de todos nós. Tanto é que ela acaba de lançar um livro intitulado Miserere, já na fila de leitura. Eu preciso da palavra de Adélia. A palavra de Adélia tem, para mim, o valor simbólico de uma hóstia. A palavra de Adélia tem o condão de iluminar meus recantos escuros. Então é assim: Adélia faz aniversário e os presenteados somos os leitores. Bendita Adélia! Bem-vinda Adélia! Daqui a pouco vou me consagrar à palavra de Adélia e me ungir de sua santa humanidade.

© Nota de canapé: Canção daquele moço de pouco talento, o Chico Buarque.


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