Esconderijos do tempo ©
Categoria: Literatura

Em algum ponto impreciso da minha falastrice sem freios, comentei sobre possíveis livros escondidos na massa de escritos que venho perpetrando. Batizei de Memórias Involuntárias a um desses livros possíveis. O desejo do livro se mantém, mas o título, não. Vale dizer que esse seria o terceiro livro, ali para 2015. O segundo, para 2014, é o O apanhador de desperdícios. Para este, a idéia é reunir os textos da Revista Samizdat. Tal como o Quase Nada, é mais um livro que vem se escrevendo sem plano. Já as Memórias Involuntárias exigirão de mim muito esforço de escrita. Ainda que eu aproveite as memórias espalhadas nas margens do que escrevo, elas terão de ser inteiramente retrabalhadas. É que as memórias serão assinadas por um alter ego. Serão memórias em terceira pessoa – uma ligeira subversão no gênero. Poderia chamá-las Alterbiografia não autorizada, mas a brincadeira talvez não fosse sacada de imediato. As memórias manterão o estilo conciso que venho praticando: capítulos curtíssimos de, no máximo, vinte linhas. E nesses curtos capítulos eu tentaria encapsular tudo que, obra da memória, está guardado nos esconderijos do tempo. A primeira batalha é a da escolha do título. Um título bem escolhido abre os caminhos do texto – penso. Não tenho o título ainda, mas já tenho uma palavra que fará parte dele: fulano. O título precisa dizer tudo de mim, de saída. E o que sou e o que serei, para sempre, é “um fulano, (…) um mano qualquer” (Caetano).

© Nota de canapé: Livro do Mário Quintana.


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