O canto da sereia ©
Categoria: Televisão

Era pra ser apenas uma edição privê de cem exemplares que eu entregaria aos colegas de trabalho no dia da minha alforria. O editor, usando quase nada do seu poder de persuasão, me fez ceder ao canto de sereia da vaidade. O resto já foi contado neste espaço, mas não custa repassar. Edição comercial de trezentos exemplares, com direito a tudo que isso implica: ISBN, revisão e sucessivas idas à sala de parto da editora. Pronto o livro, duas noites de autógrafos, com direito a comes, bebes, fotos e emoções. Ainda não satisfeito, resolvi que vou expor Quase Nada no 28º do Salão do Livro de Genebra. Passado o Salão do Livro, será a vez da Flip, que é onde pretendo distribuir o que restar da edição de Quase Nada a preço de nada. Deixarei comigo apenas a quantidade de exemplares que baste pra eu me inscrever em algum improvável prêmio literário. Depois disso tudo, creio ser hora de encerrar a saga de Quase Nada. Mas aí já será hora de pensar no próximo livro. E começará tudo de novo. Pra quê? Pra nada. É que o canto de sereia da vaidade é poderoso. Quando vemos, já estamos irremediavelmente entregues ao seu poder de sedução. É claro que a vaidade é o que menos comanda o ato de escrever. O comando maior é de ordem íntima, existencial. O ato de escrever, no entanto, não fica restrito a si mesmo. Colado nele está o desejo de ser publicado, de ser lido, aí a vaidade entra em cena – e não sai mais. É nessa armadilha que pareço ter caído. O que será de mim?

© Nota de canapé: Minissérie de TV.


(1)


    Angela Delgado
    10 de janeiro de 2014

    É. Esse caminho tem gosto de “quero mais”, mas eu já me saciei. Agora só no blog…
    Um abraço.






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