O poder da criação ©
Categoria: Música

Eis que se inaugura 2014, um ano novinho em folha pra gente se escrever nele. Ou será ele que se escreverá em nós? Mesmo admitindo que algo de nós já esteja escrito nas dobras do destino, ainda assim sobra alguma margem de criação na escrita de nós mesmos. É o que penso. Gosto de imaginar que temos algum poder de criação sobre o nosso destino. Pensando na criação como recurso estético, olha que frase intrigante da escritora Nélida Piñon: “Eu sou a criadora num mundo preexistente”. A frase sugere, a princípio, a inviabilidade de qualquer criação. Mesmo admitindo a preexistência do mundo, há muito espaço para a criação e por uma razão óbvia: o mundo é uma criação em curso. Pensando no escritor que tenho sido, nada mais faço que recriar o visto, o vivido, o imaginado, o sentido… Penso que mesmo aí está presente o poder da criação, porque a materialidade da escrita exigiu um criador que a presidisse. O escrito inaugura uma outra realidade. Existiu a realidade objeto de recriação. E passou a existir o texto que pôs em seu ventre aquela realidade. E no começo de tudo, houve a vontade do criador de puxar uma dada realidade para dentro das palavras. A vontade de escrever, quando se está mesmo diante de um escritor, é imperativa. A criação exige do criador vassalagem quase absoluta ao material com o qual intentará criar algo. A palavra é a matéria de devoção do escritor. Quanto mais ele escreve, mais escravo. Não, ninguém escreve só porque prefere, só por divertimento. Ninguém jamais saberá o tamanho da força que interfere no poder da criação.

© Nota de canapé: Parceria de João Nogueira e Paulo César Pinheiro.


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