Águas de dezembro ©
Categoria: Música

As águas de março fecham o verão – é o que atesta tanto o calendário quanto a conhecida canção de Tom Jobim. As águas de dezembro o abrem torrencialmente – é o que os brasilienses estamos testemunhando. Tem chovido quase todo dia. E são chuvas que eu, sem exagero algum, chamaria de amazônicas. Em dia de chuva, o trânsito de Brasília vira um nó indesatável. Sorte a minha de ser um pedestre e não ter de enfrentá-lo. Minha única preocupação é desviar-me das poças e de alguns motoristas que parecem ter gosto em presentear os pedestres com um banho de enxurrada. Já estou escolado. Difícil mesmo é proteger-se da conjugação chuva e vento, comum em Brasília. Aí não há guarda-chuva que dê jeito. E tenho um belo de um guarda-chuva. Demorei muito para encontrá-lo. Tem a vantagem de ser grande e facilmente transportável. Vem com uma capa que permite carregá-lo a tiracolo. Um luxo! Com o meu inseparável Fazzoletti (a marca do guarda-chuva), enfrento com galhardia as águas abundantes de dezembro. Quando chove muito pesado, recorro ao táxi. O inconveniente é a cara que o taxista faz assim que anuncio o destino. É um trajeto curtíssimo que eu, sensível, procuro compensar pagando sempre além do taxímetro. Ainda assim, não me livro de receber todas as vibrações ruins dirigidas aos, a priori, clientes-mala, já que o taxista só conhecerá meu lado sensível ao final da corrida. Todavia, acredito que a surpresa da generosidade consiga reverter os efeitos de alguma vibração ruim.

© Nota de canapé: Uma divertida parceria dos gaúchos Kleiton e Kledir.


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    Angela Delgado
    30 de dezembro de 2013

    Taxista reclamar de corrida curta? Qual é? O preço inicial já é mais caro do que uma passagem de ônibus e, em dias de chuva, não compreender o apelo de um pedestre, que se precisar vai só até a esquina, é demais! Ele que dê graças a Deus de não se tratar de um assaltante, ora!
    Um ótimo dia pra você, sem chuva e motoristas carrancudos ou desalmados.


    Tarlei
    30 de dezembro de 2013

    Minha querida Angela,
    devo dizer que nunca nenhum motorista reclamou da corrida curta. Bom leitor que julgo ser, apenas leio no semblante de quase todos eles a contrariedade por uma corrida de quase nada. Eu os compreendo — e por isso pago quase em dobro… rsrs…
    Bjs,
    Tarlei


    Angela Delgado
    31 de dezembro de 2013

    Você é bonzinho demais. Lembre-se que é melhor pouco do que nada.
    As corridas nos táxis em Brasília são as mais caras do país. Acho que pensam que somos todos corruptos, ladrões e ricos. Não entendo nem o motivo de haver uma bandeirada. Devia começar do zero e ir aumentando de acordo com a quilometragem, claro.
    Mas esqueci que você tinha que ser canonizado!
    Bom final de ano, amigo. Que 2014 seja um ano saudável e de grandes inspirações.
    Beijo.






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