Passagem das horas ©
Categoria: Literatura

Está certíssimo o Gonzaguinha quando diz numa canção “que a vida da gente / É um nada no mundo / É uma gota, é um tempo / Que nem dá um segundo…”. A luz de 2013 se apaga daqui a pouco, enquanto 2014 já acende suas luzes ali na curva do amanhã. E nós somos essa vela que ilumina enquanto morre (uma idéia linda do Rubem Alves), feito o sol, feito um sol. Gosto da idéia de ter o corpo comparado a uma vela. A vela é uma frágil fábrica de luz. O corpo é uma frágil estrutura de carne, ossos e afetos. E quão longe podemos ir com tão frágil estrutura! A vela pode queimar enquanto houver pavio. O corpo pode viver enquanto houver ânima. E porque já não tenho ânimo (ou imaginação) para seguir nessa vereda que abri, recorro ao Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, no genial (e imenso) Passagem das horas: “Não sei se a vida é pouco ou demais para mim. / (…) Porque, de tão interessante que é a todos os momentos, / A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger, / A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair / Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas, / E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos, (…)”.


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    Magno
    19 de dezembro de 2013

    Maria Bethânia recitando Passagem das Horas no disco Imitação da Vida sempre me arrepia! Imitação da Vida… Nome lindo para o disco. Não conhecemos outra forma de viver que não seja imitando. E talvez a única forma de não imitar é viver em essência, sendo selvagem. Mas quem se permite, se imitar é a regra?


    Tarlei
    19 de dezembro de 2013

    Que boa lembrança, Magno! Me fez ter vontade de reouvir Bethânia dizendo esse poema. Tenho a gravação em LP. De fato, de arrepiar.
    Concordo com palavra sua!
    Abs,
    Tarlei






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