As cidades ©
Categoria: Música

Minha geografia afetiva está traçada nos limites de três cidades. Assim as resumi, certa vez: Buriti Alegre – chão. Uberlândia – semeadura. Brasília – colheita. Sem querer, acho que fui no ponto. O ponto de partida está em Buriti. Lá me fiz. Lá está plantada minha raiz. E tão bem plantada que até meu nome está abrigado no nome da cidade – repare que Buriti Alegre contém as letras do meu nome. Buriti foi meu chão até os dezoito anos. Bem provido de raízes, precisei ir em busca de outros ares. Uberlândia, terra do pai e do avô paterno, surgiu no meu horizonte. “E foste um difícil começo / afasto o que não conheço / E quem vem de outro sonho feliz de cidade / Aprende depressa a chamar-te de realidade”. Uberlândia foi realidade dura nos primeiros tempos. Era preciso apostar num improvável futuro. Que não tardou a chegar. Menos de dois anos depois, eu era aprovado em um concurso público. Tempos de sossego financeiro, da vida sem sobressaltos. Assim por dezoito anos. Até que bateu a necessidade de ganhar asas de novo. E as asas de Brasília surgiram no meu caminho. Aqui pousei na virada do terceiro milênio. Já são quase quatorze anos aninhado numa de suas asas. Não sei se o destino colocará outras cidades na rota dos meus descaminhos. O que sei é que o fundamental me veio das três. Tenho chão, tenho asas, tenho onde semear. Pra que mais?

© Nota de canapé: Título um CD de Chico Buarque.


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