Baila comigo ©
Categoria: Televisão

Como é bom estar atento ao espetáculo da vida! Não fosse isso e uma cena tinha tudo pra passar despercebida.

É domingo. Estou num hipermercado para as compras da semana. Nesse dia, um músico local vende suas gravações domésticas recheadas de forrós, valsas, guarânias, boleros etc. E para promover as gravações, ele toca ao vivo para os clientes. Eu não gosto nem um pouco das músicas que ele toca. Dizendo melhor: não gosto dos arranjos, não gosto do som de teclado. Há quem goste. E foi de um que gosta que colhi a cena que quero contar. O personagem é um senhor de uns 70 anos. Ao ouvir os acordes de certa música, o senhor atende ao chamado e baila sozinho em plena entrada do hipermercado. O bailado dura uns três ou quatro passos, suficientes para eu clicá-los enternecido. E para bailar como convém, o senhor não se furtou ao gesto de abraçar uma imaginária companheira de contradança. Achei lindo. Para mim, o ato de dançar tem ligação direta com a alegria. Essa vontade de alegria é que terá levado o senhor a dançar. E creio que o embalava mais a saudade de um tempo bom e menos a música propriamente. Estivesse por ali uma senhora, não me espantaria se, ao passar pelo senhor, ouvisse dele o gentil convite: “Baila comigo?”. E ela, devolvendo a gentileza, cederia ao prazer da contradança. Por que não?

© Nota de canapé: Telenovela de Manoel Carlos.


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