Rep ©
Categoria: Música

Rep-are bem no título: não é rap nem help. É rep mesmo. Rep é uma redução de repente. É o que sou: um repentista. Tudo o que escrevo é meio sem plano, é no improviso. Não estou querendo dizer que seja uma escrita avacalhada. Isso, não. Capricho nos meus relaxos – acho. Gosto de escrever bonitinho, feito fosse eu um escrevente comportadinho, organizadinho. Mas não. É tudo caótico, apressado, quase sem pensar. Vou na onda do repente verbal. Idéia chama idéia. Palavra puxa palavra. Duro é quando uma idéia não chama outra, uma palavra não puxa outra. Um repentista não pode se dar ao luxo de ficar empacado numa determinada palavra. Tem de ir em frente, sempre. Eu tenho ido. E quando se insiste em ir, uma saída sempre aparece – ainda que seja uma saída pela porta dos fundos. A porta dos fundos não é uma saída honrosa para um texto, mas é uma saída. Bom mesmo é quando se consegue entrar e sair triunfalmente de um texto – ou com a sensação de. Eu mesmo nunca experimentei essa sensação. Por mais curto que seja o trajeto do texto, a travessia tem sempre um quê de angustiante. Porque o que se deseja é que o rastro dessa travessia seja um rep esperto, que orgulhe o repentista. Um repentista, na verdade, nem tem tempo de pensar nisso. Está sempre no encalço da próxima palavra, da próxima frase, do próximo mote. E a falta de mote é a morte pr’um repentista. Só o que desejo: que não me faltem motes!!

© Nota de canapé: Canção do Gilberto Gil.


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