Chega de saudade ©
Categoria: Música

Tendo notado certa nostalgia em meus escritos, uma amiga decretou: “Nada de nostalgia!”. Então tá! No meu caso, passeio pelo meu estoque de passado apenas como um modo de confirmar o meu presente, porque é certo que “Há um passado no meu presente / Um sol bem quente lá no meu quintal”. O passado ilumina o meu presente. Tenho saudades, sim, mas não sou saudosista. Tanto que o comando de “seguir em frente” é uma constante no meu jeito de levar a vida. Viver é navegar. No entanto, não podemos perder de vista o nosso cais, o nosso ancoradouro. O passado é o nosso cais. Dele partimos. Para ele voltamos. Só não vale ficar preso a ele. Nem deixar que ele nos prenda. Para Otto Lara Resende, o saudosismo é uma espécie de ressentimento que nos leva a exaltar o passado e hostilizar o presente. Também não vale o sentimento contrário de relegar o passado e entronizar o presente. E o passado só existe presentificado, ou seja, atualizado pelo que somos no presente. Para assinalar o quanto o passado está presente, Mario Quintana torneou esta bela frase: “O passado não conhece o seu lugar: está sempre presente”. Só tenho presente por causa do passado – passe a ululância da obviedade. Deve ser por isso que o angolano José Eduardo Agualusa deu a um de seus livros o título O vendedor de passados. Tenho um generoso estoque de passado. Posso gastá-lo à vontade – mas sem nostalgia. E ecoando o decreto lá do início, é hora de repetir: chega de saudade! Então tá!

© Nota de canapé: A canção-totem da Bossa Nova. Depois dela, dizem, nada foi como antes.


(1)


    Angela Delgado
    24 de novembro de 2013

    ♪… a realidade é que sem ela
    Não há paz, não há beleza, é só tristeza… ♪
    Adorei seu post e fiquei com vontade de ler o livro “O Vendedor de passados”.
    Um ótimo dia pra você!






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