Passarim ©
Categoria: Música

Vivo sem carro em Brasília. E viveria igualmente sem (e bem) em Uberlândia, não fosse por minha mãe. Sendo um sem-carro por opção, faço muitos percursos a pé. Um deles é o do café da tarde num shopping vizinho. E foi nesse percurso que tomei um grande susto. Estou caminhando tranqüilo quando ouço um chiado, um grasnado bem próximo da minha cabeça. O movimento instintivo é o de me encolher, de me proteger. É quando percebo que o grasnado vem de um passarim. Concluí que no meu percurso eu tinha passado próximo do ninho dos filhotes e a mãe-passarim agiu como agiria qualquer mãe cujos filhos estivessem sob ameaça. O susto foi grande, sobretudo pela não identificação imediata da origem do grasnado. Dia seguinte, no mesmíssimo trecho, o mesmíssimo grasnado, o mesmíssimo susto. E dessa vez não foi um grasnado só. Foram três. A mãe-passarim decerto que me vendo reincidir na ameaça resolveu recrudescer no ataque, como que me dizendo: “Tá pensando o quê?”. Que medo de a mãe-passarim, em sua fúria alada, bicar em mim!! Apesar do medo, me comportei como se nada houvesse. Caminhei firme, sem ousar olhar pra trás. A mãe-passarim não passou dos grasnados furiosos. Eu achei prudente mudar meu percurso. Nunca pensei que um passarinho pudesse atravancar o meu caminho. Será que fui a única vítima da fúria passarinha? Bem provável que a fúria da mãe-passarim dissesse: “Eu – passarinho. Eles – não passarão”. Não passarei.

© Nota de canapé: Canção de Tom Jobim.


(2)


    Angela Delgado
    11 de novembro de 2013

    Eu levei um susto bem maior com uma mãe-literalmente-coruja…


    Tarlei
    11 de novembro de 2013

    Não tenho dúvidas, Angela. A fúria de uma mãe-literalmente-coruja (adorei!) tem de fazer jus à mãe-corujice que a caracteriza.
    Abs,
    Tarlei






© 2017 - ArteVida – A vida sem a arte é insustentável – Blog do Tarlei Martins - todos os direitos reservados
Design: V1 Digital - desenvolvido em WordPress